Começa assim, parando aos poucos de viver como se vivia?
Não escrevo nem leio mais, minha vida é uma colagem
De momentos que poderiam ter sido e não foram.
Eu poderia ter lido todos aqueles livros
Ou escrito todos aqueles poemas que
Apareceram na minha cabeça quando eu
Estava andando de ônibus.
Eu poderia, ao invés de limpar a casa de manhã
E lavar a louça à noite,
Poderia ter lido todos aqueles livros
Ou escrito todos aqueles poemas
Mas agora tenho, temos
Uma casa, uma responsabilidade
Maior que as outras.
Eu vivi sempre sozinha
Mesmo quando estava em casa
Na outra casa que é e sempre será
Também minha casa.
Eu vivi sempre sozinha
E tudo era feito respeitando
O meu próprio tempo.
Afinal, cada um tem o seu próprio
T E M P O.
Desvio cada vez mais do assunto
Do rumo que tinha tomado para a minha vida
E, veja bem, não estou triste,
O caso não é este, já que
Sempre estive triste.
Agora existe o outro,
Para quem eu devo me reportar
Não por um sentimento de obrigatoriedade,
Mas porque é necessário, uma questão de empatia.
Não há mais espaço para minha tristeza.
Esse não é um poema triste,
É um poema de amor.
"Amar é lamber as feridas um do outro",
você me disse.
Amar também é causar feridas no outro
E também curar as feridas do outro.
Estou aqui, afinal, para dizer que
Tudo tem sido difícil – sim –
E às vezes mais do que apenas okay
E outras vezes mais do que eu poderia imaginar que seria.
Mas nunca pensei em ir embora
Quando
Você sabe.
Amar é dar um passo adiante mesmo quando tudo é breu.
terça-feira, 12 de dezembro de 2017
domingo, 27 de agosto de 2017
Cenas do cotidiano
1.
Eu poderia dizer que a nossa mesa é pequena, mas ela acomoda você e eu, e duas xícaras de chá, e um livro.
Essa mesa tem o tamanho do mundo.
2.
O único dia em que eu não dormi bem na nossa cama foi quando eu demorei demais a chegar. Você já dormia, um livro sob os braços, a luz acesa, a boca meio aberta e o cobertor a lhe aninhar. Eu deitei, e mesmo sem acordar, suspeito, você me cobriu.
Nessa noite, te amei em silêncio.
3.
9h15
"Temos tempo"
É o que sempre dizemos, ou melhor, é o que você sempre diz, ao que eu respondo
"Você vai se atrasar".
O que não é exatamente uma resposta brilhante. Não sei se você acredita no que diz, e me pergunto se eu acredito no que você diz, se alguma vez acreditei.
A verdade é que não importa os 15 minutos que nos restam, a hora que o seu relógio marca, a máquina que toma a nossa digital para precisar o exato momento em que chegamos, e o quão produtivos fomos.
Não importa as planilhas a preencher, os números de palavras, as datas de entrega, os e-mails passivo-agressivos, o falatório na mesa de trás.
Não importa os poucos minutos de intervalo, a hora que o computador marca, e que você espertamente tirou da sua tela, quantos minutos faltam para o táxi chegar, para o expediente terminar...
Afinal, nada disso importa.
"Temos tempo", você diz.
E eu acredito.
Eu poderia dizer que a nossa mesa é pequena, mas ela acomoda você e eu, e duas xícaras de chá, e um livro.
Essa mesa tem o tamanho do mundo.
2.
O único dia em que eu não dormi bem na nossa cama foi quando eu demorei demais a chegar. Você já dormia, um livro sob os braços, a luz acesa, a boca meio aberta e o cobertor a lhe aninhar. Eu deitei, e mesmo sem acordar, suspeito, você me cobriu.
Nessa noite, te amei em silêncio.
3.
9h15
"Temos tempo"
É o que sempre dizemos, ou melhor, é o que você sempre diz, ao que eu respondo
"Você vai se atrasar".
O que não é exatamente uma resposta brilhante. Não sei se você acredita no que diz, e me pergunto se eu acredito no que você diz, se alguma vez acreditei.
A verdade é que não importa os 15 minutos que nos restam, a hora que o seu relógio marca, a máquina que toma a nossa digital para precisar o exato momento em que chegamos, e o quão produtivos fomos.
Não importa as planilhas a preencher, os números de palavras, as datas de entrega, os e-mails passivo-agressivos, o falatório na mesa de trás.
Não importa os poucos minutos de intervalo, a hora que o computador marca, e que você espertamente tirou da sua tela, quantos minutos faltam para o táxi chegar, para o expediente terminar...
Afinal, nada disso importa.
"Temos tempo", você diz.
E eu acredito.
domingo, 6 de agosto de 2017
segunda-feira, 10 de julho de 2017
Retalhos
Esqueça as poesias no bar
O frio, a cerveja mais gelada
Que a brisa cortando o seu rosto
Você tremendo da cabeça aos pés
Suas mãos grandes que pareciam
Tão pequenas, e você que pareceu
Durante muito tempo só um menino.
Esqueça o sexto andar,
O pôr do sol que sobrevive
Nessa cidade tão cinza, mas o ceú
O céu aqui é sempre tão bonito,
[já percebeu?]
As escadas intermináveis, meu coração que
Acelerava a cada degrau ultrapassado
Você me esperando no topo do
Sexto andar.
Esqueça a sessão das 20 horas
A terça-feira do primeiro encontro
A céu aberto, fora das paredes de concreto
E daquele ambiente de tensão permanente
(Segundo alguns, tensão sexual)
O filme francês que afinal não era Truffaut
Mas era um pouco mais do que apenas
[okay].
Esqueça Beethoven e os
Sentimentos de Alegria e Gratidão Depois da Tempestade
Afinal, não choveu, mas os sentimentos foram os mesmos
As caminhadas no centro que não me pareceu mais
Tão assustador estando ao lado de vocês
De você, que parece sempre saber
Mais do que eu, mais do que
Todo o mundo.
Esqueça os retalhos que ficaram
A caminhada no parque, o verde das
Árvores que riscadas tiveram que se defender
Assim como eu estou fazendo agora
Assim como eu venho fazendo
[há tanto tempo]
A mão que eu te dei, e o beijo que você
Na esquina da Haddock com a Antônio Bastos
Me tirou, não me roubou, porque ele já era seu.
Que você se lembre de tudo o que a gente
Não viveu, das músicas e dos filmes e dos
Livros que eu não te falei não sei porque, já que
Tudo me lembra, tudo me lembrava você
Que fique a impressão, apenas, esse poema
Tal como uma madeleine, um resquício
Da história que a gente
Não viveu.
O frio, a cerveja mais gelada
Que a brisa cortando o seu rosto
Você tremendo da cabeça aos pés
Suas mãos grandes que pareciam
Tão pequenas, e você que pareceu
Durante muito tempo só um menino.
Esqueça o sexto andar,
O pôr do sol que sobrevive
Nessa cidade tão cinza, mas o ceú
O céu aqui é sempre tão bonito,
[já percebeu?]
As escadas intermináveis, meu coração que
Acelerava a cada degrau ultrapassado
Você me esperando no topo do
Sexto andar.
Esqueça a sessão das 20 horas
A terça-feira do primeiro encontro
A céu aberto, fora das paredes de concreto
E daquele ambiente de tensão permanente
(Segundo alguns, tensão sexual)
O filme francês que afinal não era Truffaut
Mas era um pouco mais do que apenas
[okay].
Esqueça Beethoven e os
Sentimentos de Alegria e Gratidão Depois da Tempestade
Afinal, não choveu, mas os sentimentos foram os mesmos
As caminhadas no centro que não me pareceu mais
Tão assustador estando ao lado de vocês
De você, que parece sempre saber
Mais do que eu, mais do que
Todo o mundo.
Esqueça os retalhos que ficaram
A caminhada no parque, o verde das
Árvores que riscadas tiveram que se defender
Assim como eu estou fazendo agora
Assim como eu venho fazendo
[há tanto tempo]
A mão que eu te dei, e o beijo que você
Na esquina da Haddock com a Antônio Bastos
Me tirou, não me roubou, porque ele já era seu.
Que você se lembre de tudo o que a gente
Não viveu, das músicas e dos filmes e dos
Livros que eu não te falei não sei porque, já que
Tudo me lembra, tudo me lembrava você
Que fique a impressão, apenas, esse poema
Tal como uma madeleine, um resquício
Da história que a gente
Não viveu.
sábado, 3 de junho de 2017
Lá e de volta outra vez
Eu tenho alguém
Sempre tive
Mesmo quando eu ainda era
Uma criança
Ele vem de vez em quando
Mas sempre pontual
Ele me espera
Na esquina das curvas
Escuras
Ele me guia
Ele me atravessa
Ele não diz que
Tudo vai ficar
Bem, mas
Não importa
Não importa porque
Já estou morta
Há muito tempo
Não é culpa de ninguém
Não é culpa de ninguém
Sempre tive
Mesmo quando eu ainda era
Uma criança
Ele vem de vez em quando
Mas sempre pontual
Ele me espera
Na esquina das curvas
Escuras
Ele me guia
Ele me atravessa
Ele não diz que
Tudo vai ficar
Bem, mas
Não importa
Não importa porque
Já estou morta
Há muito tempo
Não é culpa de ninguém
Não é culpa de ninguém
quarta-feira, 24 de maio de 2017
01:48
Faz quase um mês.
Os dias nunca passaram tão rápido,
Os dias nunca passaram tão devagar.
Você veio e foi embora logo depois,
Olha a bagunça que ficou…
Eu não sei viver assim, nesse limiar
Entre a paixão reluzente e
A tristeza profunda.
É tudo culpa sua.
Eu estava bem,
Estava mal,
Estava eu,
Só eu.
Eu não sei,
Eu não quero,
Eu não consigo superar
Esses momentos em que
A vida vale mais que
Qualquer morte calma,
Qualquer alívio da alma.
Eu falei tudo,
Eu falei tanto...
É possível voltar no tempo e evitar o amor?
Esquece
Aquele beijo saudoso
Aquele abraço apertado
Aquelas mãos entrelaçadas
Aquelas palavras delicadas
Esquece
Os olhares furtivos
O choro
O riso
Esquece
A música que eu te mandei
O post que eu compartilhei
Esquece
O dia 12
O dia 13
Esquece
Janeiro
Maio
Esquece São Paulo
Esquece o frio que fez
E as caminhadas depois das 6
[da tarde]
Esquece principalmente as noites
E o fato de que ficamos juntos durante todo o tempo.
Esquece que você veio
Esquece que eu
Esquece de mim
É possível voltar no tempo e evitar o amor?
Os dias nunca passaram tão rápido,
Os dias nunca passaram tão devagar.
Você veio e foi embora logo depois,
Olha a bagunça que ficou…
Eu não sei viver assim, nesse limiar
Entre a paixão reluzente e
A tristeza profunda.
É tudo culpa sua.
Eu estava bem,
Estava mal,
Estava eu,
Só eu.
Eu não sei,
Eu não quero,
Eu não consigo superar
Esses momentos em que
A vida vale mais que
Qualquer morte calma,
Qualquer alívio da alma.
Eu falei tudo,
Eu falei tanto...
É possível voltar no tempo e evitar o amor?
Esquece
Aquele beijo saudoso
Aquele abraço apertado
Aquelas mãos entrelaçadas
Aquelas palavras delicadas
Esquece
Os olhares furtivos
O choro
O riso
Esquece
A música que eu te mandei
O post que eu compartilhei
Esquece
O dia 12
O dia 13
Esquece
Janeiro
Maio
Esquece São Paulo
Esquece o frio que fez
E as caminhadas depois das 6
[da tarde]
Esquece principalmente as noites
E o fato de que ficamos juntos durante todo o tempo.
Esquece que você veio
Esquece que eu
Esquece de mim
É possível voltar no tempo e evitar o amor?
segunda-feira, 22 de maio de 2017
Thoughts at 1am
I'm gonna spoil everything
Like I always do
Like I always do
You know me
You don't know me
I don't think you know me
Because I don't even know myself
I love you
And that's why
I need to let you go
I love you so much
That I don't wanna hurt you
I hurt everybody I love, baby
And I love you the most.
Like I always do
Like I always do
You know me
You don't know me
I don't think you know me
Because I don't even know myself
I love you
And that's why
I need to let you go
I love you so much
That I don't wanna hurt you
I hurt everybody I love, baby
And I love you the most.
segunda-feira, 15 de maio de 2017
May, 13th 2017
I don't know how to deal with reality
Day-to-day life kills me
Little by little
I met you in a very strange time of my life
I lost you in the worst time of my life
We met again in the right time
Oh, life
I could write a book
I could write a song
I could post about it
On my Facebook account
It doesn't matter
I don't know how to say
What I want to say
What it mean to me, you
I'm writing right now
Because I can't keep this inside of me
I beg you to shut me down
Come back here
One
More
Time
Day-to-day life kills me
Little by little
I met you in a very strange time of my life
I lost you in the worst time of my life
We met again in the right time
Oh, life
I could write a book
I could write a song
I could post about it
On my Facebook account
It doesn't matter
I don't know how to say
What I want to say
What it mean to me, you
I'm writing right now
Because I can't keep this inside of me
I beg you to shut me down
Come back here
One
More
Time
sábado, 1 de abril de 2017
Se você me perguntasse o que eu teria feito diferente
Eu diria que teria feito tudo igual
Mas eu teria ficado quando você disse
“Por que você não fica?”
Não foi o efeito do álcool passando
Não foi a luz da manhã que bateu de repente na janela
[e clareou tudo]
Não foram as outras pessoas nos olhando
Foi a minha própria escuridão
É sempre tarde em mim
Por tantos anos eu me neguei a fazer
Todas aquelas coisas que eu fiz - e disse - naquela noite...
Estava escuro, mas eu jamais vi a vida tão claramente
Eu olhei direto nos seus olhos e disse que te amava muito
Eu juro que nunca me senti tão feliz
Em toda a minha vida
Eu fui embora porque não sei amar sobriamente
Eu fui embora porque olhar para você me lembrou que mesmo eu
Poderia ser feliz
Eu diria que teria feito tudo igual
Mas eu teria ficado quando você disse
“Por que você não fica?”
Não foi o efeito do álcool passando
Não foi a luz da manhã que bateu de repente na janela
[e clareou tudo]
Não foram as outras pessoas nos olhando
Foi a minha própria escuridão
É sempre tarde em mim
Por tantos anos eu me neguei a fazer
Todas aquelas coisas que eu fiz - e disse - naquela noite...
Estava escuro, mas eu jamais vi a vida tão claramente
Eu olhei direto nos seus olhos e disse que te amava muito
Eu juro que nunca me senti tão feliz
Em toda a minha vida
Mas é sempre tarde em mim
Eu fui embora querendo ficarEu fui embora porque não sei amar sobriamente
Eu fui embora porque olhar para você me lembrou que mesmo eu
Poderia ser feliz
E fui.
domingo, 27 de novembro de 2016
Comecemos com a imposição.
Nascemos, simplesmente. Não há perguntas, não há respostas. Há somente o 'sair da caverna'. Acho esse um mau começo. O mundo simplesmente espera que sejamos gratos pela vida, que queiramos viver. Mas que mundo é esse que não é igual para todos? Eu sei, eu sei, a vida não é justa e temos que batalhar para conseguirmos o que queremos. Eu sei, mas não concordo. Queria que a minha vida fosse fácil, e que meus desejos se realizassem.
O que pedem de mim é muita coisa! Tenho uma agenda completa de coisas para fazer, que me custarão anos para serem realizadas e que, com um pouco de sorte, trarão alguns frutos. Mas porque tenho que viver uma vida toda com um saldo tão pequeno de realizações?
Às vezes busco a morte em ruas escuras e esquinas mal iluminadas. Não nego que meu coração bate muito forte, e que não tenho medo. Tenho muito! Apesar dos vários ensaios que aconteceram em minha mente, o momento real é assustador. Até hoje, nunca aconteceu. O ato final, quero dizer.
Pergunto-me o porquê, já que às vezes esse é o meu desejo mais urgente. Não posso deixar de pensar que é o mundo conspirando contra mim. Ele vive e é mal, mas não sei realmente o que fiz para merecer tal castigo.
Pergunto-me o porquê, já que às vezes esse é o meu desejo mais urgente. Não posso deixar de pensar que é o mundo conspirando contra mim. Ele vive e é mal, mas não sei realmente o que fiz para merecer tal castigo.
[Texto encontrado entre rascunhos, deve ser provavelmente de 4 ou 5 anos atrás]
quinta-feira, 27 de outubro de 2016
Para aquele
o problema não é esquecer
é lembrar - sempre -
às 10 da noite
à 1 da manhã
no meio da música que toca
durante a insônia costumeira
ai, a insônia costumeira
ai, as lembranças
faz tanto tempo que não sei se aconteceu
acho que inventei grande parte
desse aglomerado de palavras, gestos, olhares
sorrisos, beijos, revelações, toques, sensações
que eu senti, que a gente compartilhou
[um com o outro]
você se lembra?
era o que eu gostaria de perguntar
mas eu fui embora, você ficou
eu disse coisas demais, e acho que você gostou
mas não o suficiente
eu disse coisas demais, disse coisas crueis
disse que te amava and i mean it
você sabe, não sabe?
era o que eu gostaria de saber
mas você ficou com outra
[pessoa]
e não nos falamos mais desde então.
eu deixei marcas, e foi proposital
porque você foi meu durante algumas horas
e eu estava prestes a ir embora.
eu queria sentir o gosto,
e senti
e gostei
e me perguntei: por que não antes?
o que diabos a gente fez durante todos aqueles anos?
começo a me perder, as palavras não
respiro, o coração palpita
recomeçemos.
você também sentiu, o gosto?
e você gostou?
era o que eu gostaria de saber
se ainda fôssemos amigos.
lembra quando eu disse que seríamos amigos pra sempre?
eu lembro, e me dói demais imaginar que não.
ainda somos, não somos?
te odeio.
não pergunto mais de ti, não quero saber
quero sim, mas não quero.
você me entende, não?
queria muito te mandar pra puta que pariu
e já mandei diversas vezes
mas a coisa não funciona assim.
é mais do que o meu orgulho ferido,
é esse amor não consumido...
se não foi amor, foi o quê?
é o quê?
te amo, te odeio.
se um dia lembrar de mim...
você se lembra?
é lembrar - sempre -
às 10 da noite
à 1 da manhã
no meio da música que toca
durante a insônia costumeira
ai, a insônia costumeira
ai, as lembranças
faz tanto tempo que não sei se aconteceu
acho que inventei grande parte
desse aglomerado de palavras, gestos, olhares
sorrisos, beijos, revelações, toques, sensações
que eu senti, que a gente compartilhou
[um com o outro]
você se lembra?
era o que eu gostaria de perguntar
mas eu fui embora, você ficou
eu disse coisas demais, e acho que você gostou
mas não o suficiente
eu disse coisas demais, disse coisas crueis
disse que te amava and i mean it
você sabe, não sabe?
era o que eu gostaria de saber
mas você ficou com outra
[pessoa]
e não nos falamos mais desde então.
eu deixei marcas, e foi proposital
porque você foi meu durante algumas horas
e eu estava prestes a ir embora.
eu queria sentir o gosto,
e senti
e gostei
e me perguntei: por que não antes?
o que diabos a gente fez durante todos aqueles anos?
começo a me perder, as palavras não
respiro, o coração palpita
recomeçemos.
você também sentiu, o gosto?
e você gostou?
era o que eu gostaria de saber
se ainda fôssemos amigos.
lembra quando eu disse que seríamos amigos pra sempre?
eu lembro, e me dói demais imaginar que não.
ainda somos, não somos?
te odeio.
não pergunto mais de ti, não quero saber
quero sim, mas não quero.
você me entende, não?
queria muito te mandar pra puta que pariu
e já mandei diversas vezes
mas a coisa não funciona assim.
é mais do que o meu orgulho ferido,
é esse amor não consumido...
se não foi amor, foi o quê?
é o quê?
te amo, te odeio.
se um dia lembrar de mim...
você se lembra?
segunda-feira, 30 de março de 2015
Ana K.
Se insisto em ver
O que não vejo,
É porque eu sinto.
Quem há de contrariar
O coração ferido
De uma moça
Levada
A acreditar
Na vida
Como ela não é?
O demônio das onze horas
Nunca vai embora, de verdade.
Ele espera calado,
Na estação,
O próximo trem
Que sempre vem.
terça-feira, 18 de novembro de 2014
O fim em cinco atos.
1.
Não consigo mais escrever.
Tudo é ridículo e passível de críticas,
As palavras não me pertencem mais.
Passei muito tempo fechada,
Vítima de uma dessas depressões
Que sempre me dão.
Por falar nisso,
Where is my Xanax?
2.
Não consigo mais ler.
Tudo já foi escrito e cai na mesmice,
Os livros não me alimentam mais.
Passei muito tempo trancada,
Em uma dessas prisões
Que sempre construo.
Por falar nisso,
Where is my Thorazine?
3.
Não consigo mais falar.
Tudo já foi dito e discutido,
Os sons não me pertencem mais.
Passei muito tempo calada,
Em um desses exílios
Que sempre me imponho.
Por falar nisso,
Where is my Diazepam?
4.
Não consigo mais enxergar.
Tudo já foi visto e revisto,
As imagens não me pertencem mais.
Passei muito tempo no escuro,
Em uma desses apagões
Que sempre me acontecem.
Por falar nisso,
Where is my morphine?
5.
Não consigo mais.
Não consigo.
Consigo?
Não.
Não consigo mais escrever.
Tudo é ridículo e passível de críticas,
As palavras não me pertencem mais.
Passei muito tempo fechada,
Vítima de uma dessas depressões
Que sempre me dão.
Por falar nisso,
Where is my Xanax?
2.
Não consigo mais ler.
Tudo já foi escrito e cai na mesmice,
Os livros não me alimentam mais.
Passei muito tempo trancada,
Em uma dessas prisões
Que sempre construo.
Por falar nisso,
Where is my Thorazine?
3.
Não consigo mais falar.
Tudo já foi dito e discutido,
Os sons não me pertencem mais.
Passei muito tempo calada,
Em um desses exílios
Que sempre me imponho.
Por falar nisso,
Where is my Diazepam?
4.
Não consigo mais enxergar.
Tudo já foi visto e revisto,
As imagens não me pertencem mais.
Passei muito tempo no escuro,
Em uma desses apagões
Que sempre me acontecem.
Por falar nisso,
Where is my morphine?
5.
Não consigo mais.
Não consigo.
Consigo?
Não.
segunda-feira, 6 de maio de 2013
Loucura.
Sou sã na minha loucura,
Sou refém da minha culpa:
De ser quem eu sou,
De estar onde estou.
Vejo muito mais do que eu deveria ver,
E o que eu devo fazer com tudo isso?
Minha loucura não é um capricho,
É o meu eu,
Estendido.
Mas quem diz que eu não sei
O que falo, o que vejo,
Não é mais louco do que eu?
Eles negam a realidade,
Eu só busco a verdade.
Sou refém da minha culpa:
De ser quem eu sou,
De estar onde estou.
Vejo muito mais do que eu deveria ver,
E o que eu devo fazer com tudo isso?
Minha loucura não é um capricho,
É o meu eu,
Estendido.
Mas quem diz que eu não sei
O que falo, o que vejo,
Não é mais louco do que eu?
Eles negam a realidade,
Eu só busco a verdade.
domingo, 14 de abril de 2013
Espera.
Perguntou-me o que eu busco nessa vida.
Ora, o que haveria de ser senão o prazer?
O pecado cometido, uns pequenos delitos,
Conquistar um coração, morrer de paixão...
Morrer e, mesmo assim, continuar vivendo!
E o que faço eu neste pequeno cômodo?
Espero a vida chegar, a correnteza levar
Tudo o que me prende a esse mar de gente
Medíocres, canalhas, que me cortam as asas
Prisioneiros da própria mente, eles mentem!
Eu sei o que é melhor pra mim:
A salvação está no coração.
Ora, o que haveria de ser senão o prazer?
O pecado cometido, uns pequenos delitos,
Conquistar um coração, morrer de paixão...
Morrer e, mesmo assim, continuar vivendo!
E o que faço eu neste pequeno cômodo?
Espero a vida chegar, a correnteza levar
Tudo o que me prende a esse mar de gente
Medíocres, canalhas, que me cortam as asas
Prisioneiros da própria mente, eles mentem!
Eu sei o que é melhor pra mim:
A salvação está no coração.
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
It's christmas.
It's christmas,
And what have you done?
The year passed away,
But you're still the same.
It's christmas,
And where have you been?
There's a whole world outside,
But you're still right here.
It's christmas,
And have you loved someone?
Your heart keeps beating,
But you're on your own.
It's christmas,
And what are you celebrating?
You're young and free,
But you're looking for something to believe.
It's christmas,
And have you said thank you to someone?
And have you prayed for someone?
And have you cryed for someone?
It's christmas,
But it's monday too.
Do you believe that your dreams
Can come true?
And what have you done?
The year passed away,
But you're still the same.
It's christmas,
And where have you been?
There's a whole world outside,
But you're still right here.
It's christmas,
And have you loved someone?
Your heart keeps beating,
But you're on your own.
It's christmas,
And what are you celebrating?
You're young and free,
But you're looking for something to believe.
It's christmas,
And have you said thank you to someone?
And have you prayed for someone?
And have you cryed for someone?
It's christmas,
But it's monday too.
Do you believe that your dreams
Can come true?
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Assisto impassível às loucuras humanas em suas mais variadas formas. É um não saber como lidar com o que alguém como eu mas diferente de mim pode fazer. Assusto-me como estou à mercê de tornar-me um monstro se me deixar levar pela malícia das pessoas que vivem ao me redor. Odeio ser exposta dessa maneira às humilhações que a vida me (nos) impõe. Curvar-me facilmente para aquilo que não presta mas que fui ensinada a adorar. Penso na palavra liberdade, mas não sei realmente o que ela significa. Livres são os pássaros que podem voar. Por que quem não pensa é mais feliz? Tentei uma vez não pensar em nada, mas fui infeliz. Tudo incomoda e é passível de questionamento. Ah, como cansa viver!
*
Não me reconheço. Não sei como fazer o que todos fazem, parece que sai errado, sabe? Torto. Não nasci para ser mas continuo sendo. Algum dia serei? Não quero mais perguntas porque perguntas me deixam nervosa. Passou. Explicar é algo muito difícil, seja lá o que for. Tenho ânsias de vômito, não caibo em mim. Acho que sou eu querendo sair de qualquer maneira e ser. Seja lá o que ser signifique. Eu sei que não estou sendo clara, mas não há maneira fácil de se explicar. Eu só sou dentro de mim. Por favor, me explique como é ser você. Deve ser tão bom! Há sorrisos e cores no seu mundo, faz o meu também ser assim, por favor?! Desculpe, pareço uma criança. Oh, me desculpe mesmo por lhe importunar tanto. Vou tratar de ser feliz.
*
Eu sigo os passos que me levam além, mas não sei onde esse além fica. Ninguém parece notar que o além nunca chega. Canso-me de andar tanto! Para quê? Ah, faço perguntas demais e não respondo nenhuma delas. Ninguém responde. Alguém pode me ajudar? Ó, lá se vai outra pergunta. (Pausa). Feche os meus olhos, eu não quero ver. A realidade me machuca. Ninguém me vê chorando porque eu choro por dentro. Cuida de mim e diz que tudo vai ficar bem, mesmo que não. Palavras confortam e prefiro acreditar na ilusão, só acredito em mentiras. Eu finjo que não vejo a minha cara no espelho, eu finjo que não vejo meu corpo todo manchado. Eu finjo que não sei como eu sou, mas eu sei tudo. Eu sou feia por dentro e por fora. Eu não quero que você me veja porque isso machuca, esse desprezo. Fica aí que eu fico aqui.
Fica aí que eu fico aqui.
Fica aí que eu fico aqui.
Eu sei do mundo mais do que eu queria saber.
"De onde você veio?"
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Nada.
A tristeza vicia mais que qualquer droga. Sai de dentro de nós e se espalha pelos detalhes da nossa vida, tirando a cor das paisagens mais belas e o cheiro dos melhores perfumes. Envolve-nos como um manto protetor e nos sentimos tão confortáveis que não temos forças para retirá-lo. Estagnamos. Permanecemos, então, em um mesmo estado de melancolia que ninguém consegue entender e, por isso, nem ajudar. Como falar sobre algo que nem nós entendemos? Não há o que dizer, não há o que fazer. Continuamos vivendo, rogando a Deus uma resposta imediata, uma cura para todo o sofrimento, uma morte calma. Distanciamos-nos do mundo ao mesmo tempo em que nele moramos. Somos uma parte dele. Morremos por dentro a cada dia, sem perceber. O tempo passa e nada muda. Nada dura.
"O que acontecerá? Tenho medo."
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Desabafo.
Palavra após palavra, me repeles com a tua brusca maneira de condenar-me os atos e impaciente fico por ver-te longe de mim. Bombardeias-me de desconfianças infundadas onde realizo peripécias inimagináveis. Não te cansas de me atormentar e acho que até algum prazer sentes nisso de tanto que o fazes. Por que me irritas? Todas as minhas boas emoções desaparecem e saio por aí sem me preocupar em disfarçar o mal-estar que me causaste. Não consigo pensar com clareza e isso me deixa frustrada porque tenho tantas outras coisas para resolver e acabo não fazendo nada. Sinto pena de mim e outra onde de mal-estar, dessa vez pior, inunda todo o meu ser. Não há nada pior do que sentir pena de si mesma. Cumpro as obrigações diárias como alguém que só tem aquilo para fazer. Não me concentro e acabo por não atribuir importância a nenhuma tarefa específica. Não encontro foco e consequentemente não tenho um rumo a seguir. Penso em falar tudo o que me vem à cabeça e afundar-te na verdade que é a minha vida de merda, mas seria como reduzir toda a complexidade de cada sentimento que já se desvendou dentro de mim a muito pouco. Calo-me em pensamento deixando-te acreditar que tens razão sobre a minha vida e suas insignificâncias. Pergunto-me até quando vou ter que aguentar tuas tagarelices sem sentido e se algum dia entenderás que não sabes nada sobre mim. Ninguém sabe e me pergunto se, algum dia, alguém saberá.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Dia do livro.
O livro é comemorado todos os dias por cada leitor. É uma parte da gente que outra pessoa escreve. É refúgio da realidade. Um esconderijo de todas as coisas ruins que a gente vê por aí, no mundo real. Uma maneira que as pessoas encontraram de ficar sozinhas, mas acompanhadas. Faz a gente ter saudade de um mundo inventado, muitas vezes, mas deveras real em nossos corações. O livro é professor, é amigo. Ensina, aconselha. Faz companhia aonde quer que a gente vá. E o que é mais legal: eles não vão embora! As histórias são eternas desde o momento em que as imaginamos. As pessoas que conhecemos vivem para sempre. O livro é a nossa própria vida contada em capítulos.
O livro sou eu.
O livro sou eu.
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