quinta-feira, 6 de setembro de 2012

PEOPLE DON’T CHANGE!

Como já dizia o meu querido Gregory House: “Pessoas não mudam.” Pessoas mudam o que pode ser mudado, como opiniões. Não elas mesmas, isso é impossível. Não podemos nos resumir a tão pouco quando o nosso íntimo é um ser tão obscuro até para nós mesmos. O que eu quero dizer é que nós somos quem nós conhecemos e não quem o outro conhece. É tudo uma questão de interpretação, como cada pessoa vai te interpretar. Ou seja, você é uma pessoa para cada pessoa que conhece.

Mundo louco, não?! Pois é... O difícil mesmo é se reconhecer no meio de tantos “eu”. Seria bem mais fácil poder escolher aquele que mais nos agrada. Escolher o que nós não somos. Mais difícil ainda é aceitar ser você, essa bagunça de emoções e sentimentos que te deixa tão confuso... Isso é ser humano. Agradável? Eu não acho, mas não posso afirmar nada porque jamais fui outra coisa a não ser uma sapiens.

As pessoas esperam por um milagre, esperam que você mude, criam expectativas enormes em torno de algo que nunca vai acontecer e acabam se decepcionando. E, como se tudo isso não bastasse, colocam a culpa em você e na sua falta de capacidade de ser uma pessoa novinha em folha!

(...)

terça-feira, 4 de setembro de 2012

"Você está fantasiando demais!"

(Fonte desconhecida)

Eu costumo ouvir demais essa frase das pessoas que convivem comigo. É como se o meu estômago fosse atingido por um golpe brutal que me faz cair ao chão. É como uma fada que morre logo após uma criança dizer em voz alta que não acredita em uma dessas criaturinhas mágicas. É triste e me deixa desmotivada.

As pessoas não acreditam mais em histórias de amores eternos ou no "viveram felizes para sempre." É uma pena, porque viver uma vida em que não se tem expectativas de um contentamento duradouro é o mesmo que viver em vão. Buscamos sempre coisas que vão nos satisfazer e, consequentemente, nos deixar em um estado total de alegria. Por que não haveria de ser assim? 

Vivemos em um mundo onde os sonhos se resumem a muito pouco. É claro que diferentes pessoas têm diferentes tipos de sonhos. Mas, a questão principal, é que os sonhos que dizem respeito ao plano subjetivo, e não ao material, são julgados como tolos. Se você disser que a sua principal razão de existir é querer encontrar alguém que te faça a pessoa mais feliz do mundo e que com ela você quer construir uma família, vai receber o olhar mais torto de todos.

Falo isso por experiência própria. Quando me apaixonei pela primeira vez por um garoto que eu nem conhecia e com o qual nunca havia trocado uma dúzia de palavras, meus amigos acharam engraçado. Talvez porque a maioria deles nunca tivesse passado por essa experiência. Talvez porque esse tipo de coisa seja rara. Mas, quando eles perceberam que aquilo já estava durando muito, me desacreditaram de que tudo aquilo valia a pena. Acusaram-se de sonhar demais, como se este fosse o pior dos crimes. Se fosse o caso, seria condenada à prisão eterna.

Os sonhadores são renegados a uma parte da sociedade que fica no canto. A minoria. Uma minoria  ativa que ainda vive buscando realizar coisas maiores do que a razão pode entender, do que o resto do mundo pode entender.

Quero ter o direito de sonhar e não quero que ninguém me impeça de fazê-lo! Não diga que isto faz mal para mim, porque não faz. Pelo contrário, se eu não puder me alimentar de todas essas ilusões que crio, morrerei. Morrerei de infelicidade e angústia de não poder viver o que tanto quero.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Acordo sempre esperando por alguma coisa.

Eu não sei, mas acho que é resultado dos sonhos que tenho. Acordo querendo estar em outro lugar, com outras pessoas, vivendo uma outra história qualquer que não seja a minha. Abro os olhos por alguns instantes e permaneço imóvel na cama. Tento lembrar o que estava na minha cabeça durante toda a noite e resquícios de ilusões imaginadas passam voando por mim e se vão. Às vezes elas voltam, em outras noites de sonhos constantes, mas, por enquanto, digo adeus. Fecho e abro os olhos para me acostumar com a realidade que me cerca. A janela ainda está fechada, mas consigo definir as formas dos objetos inanimados no meu quarto. É hora de acordar e viver. 

Levanto-me e faço a oração de todas as manhãs: que eu sobreviva, que eu sobreviva, que eu sobreviva, Ó, Deus. Olho para a cama e penso em voltar, me deitar e cobrir-me inteira com o cobertor. Seria bem mais fácil me esconder do mundo, me esconder das pessoas. Luto contra esse pensamento todos os dias, em vão, porque eu nunca volto para cama. 

Caminho pela rua e é como se minha mente vagasse por outros caminhos. Ela simplesmente não me acompanha, mas eu a deixo ir. Sei que é isso o que ela quer, apesar de que, quando voltamos, ela fica triste por deixar tantas coisas para trás. Quando vejo que ela está indo longe demais, agarro-a pelos braços e arrasto-a para mim. Ela sabe que o faço para seu próprio bem. Não é saudável uma dose tão forte de ilusão.

O trabalho me distrai de tudo isso. As tarefas mecânicas que realizo ocupam minha mente fugaz com preocupações passageiras, mas eloquentes enquanto vivas. A realidade desses atos me deixa hipnotizada, eu consigo perceber. Mas tenho forças para sair do transe. Eu sei que é exatamente isso o que eles querem, prender-nos com correntes invisíveis em lugares vazios cheios de gente. Não sucumbi totalmente a este mal, mas é muito difícil resistir bravamente. Deve ser bem mais fácil apenas deixar-se levar.

Dou adeus aos colegas e sigo o mesmo caminho de todos os dias, depois de mais um dia de trabalho como todos os outros. Sinto-me liberta depois de tanto tempo em um ambiente opressor. Esses novos ares me renovam e me dão forças para ir além, além de onde jamais fui. Entrego-me aos devaneios e vou sem pensar em voltar. Sou feliz em pensamento e, naquele momento, isso me satisfaz.

Guardo-me para à noite, o ponto alto do meu dia: a terra dos sonhos, a terra feliz me espera. É isso o que mentalizo nos intervalos das atividades diárias. É isso o que me alucina, é essa a minha droga. Sonhar é a cura de todo o meu mal, é o que me mantém viva.

É para isso, somente para isso.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O que eu queria falar é que estou cansada de ficar cansada. Essa montanha-russa de emoções que a vida é me desgasta e não há um dia sequer em que eu não pense em dar no pé. Se existir já é complicado por si só, viver, então, nem se fala. O ser humano é o animal mais difícil de se entender, e me ver refletida nesses milhões de corpos mundo afora me deixa frustrada. Eu vejo o que eles fazem e isso não me deixa feliz. Não quero ser como eles, apesar de ser um deles. Como posso acreditar em uma felicidade vendida em livros se nunca vivi algo parecido? Eles querem que a gente acredite nisso enquanto vivendo mediocremente, comprando o que está na vitrine das lojas mais caras como se isso fosse nos ajudar a ter o mínimo de dignidade. Mas, não. Eu gastei o pouco que tinha procurando em cada pedaço de plástico a resposta para entender porque, diabos, isso me faria feliz. Como um objeto inanimado poderia se tornar o meu maior companheiro nos últimos anos? Aonde foi que tudo isso começou? E cá estou tentando entender para que eu sirvo e não consigo achar uma boa resposta. Como eu posso viver desse jeito? Não consigo nem responder a estas perguntas que eu mesma criei... Sigo um caminho tortuoso e nem sei se ele vai dar em alguma coisa. Só queria um indício de que viver vale mesmo tudo isso, todo esse sofrimento. Espero ser positivamente surpreendida, apesar de achar esta uma possibilidade muito remota. Seguirei, apesar dos pesares, esta trilha. Já que estou aqui, vou tentar.

domingo, 15 de julho de 2012

O recanto do esquecimento

"Feliz é o destino da inocente vestal/ Esquecendo o mundo e sendo por ele esquecida./ Brilho eterno de uma mente sem lembranças/ Toda prece é ouvida, toda graça se alcança." 
(Alexander Pope)

(Imagem: http://migre.me/9L3Zi)

No filme "O brilho eterno de uma mente sem lembranças" vamos conhecer Joel e Clementine, um casal que, depois se apaixonarem repentinamente, sofrem as decepções da vida a dois. Até aí, nenhuma novidade. Um cenário típico de qualquer filme hollywoodiano. A questão é que, atormentada pelas memórias da vida com Joel, Clementine decide apagar as lembranças do seu ex-namorado. Isso mesmo, ela descobre uma clínica especializada nesse procedimento e decide se arriscar. Com isso, após o tratamento surtir efeito, é como se ela nunca o tivesse conhecido. Triste (Ou não?).

A tríade amar-sofrer-esquecer é um clichê da vida. Se você nunca sofreu por amor (ah, querido, sofrerá)ao menos conhece alguém que já teve o coração partido. Não é nenhuma maldição, nem nada disso. A razão é bem simples, na verdade. Relacionamentos são complicados porque as pessoas são complicadas. São diferentes. Cada uma com seu jeito de encarar a vida. E isso é bom, se você souber lidar com as diferenças. E, se não souber, vai ter que aprender. Mas, antes disso, vai sofrer.

Prepare-se para um dos maiores desafios da vida: a partilha. Partilhar a sua vida com alguém pode parecer fácil no começo, mas se tornará uma árdua tarefa. Sou pessimista? Não, é a realidade. Vejam bem. Não revelamos nossos segredos no primeiro encontro, não despejamos nosso mau humor matinal no (a) namorado (a) que a gente só encontra nos finais de semana, nem expomos a ele (ela) os nossos momentos de melancolia. Tudo isso exige tempo, o tempo dá intimidade, a intimidade revela segredos e segredos, quando revelados, geram conflitos.

Clementine e Joel foram vítimas da intolerância humana. Tão logo se viram confinados com os defeitos um do outro, sucumbiram à tranquilidade de suas vidas solitárias. (Ela porque quis e ele porque assim teve que ser). Eles se assustaram ao perceber que a pessoa pela qual haviam se apaixonado não era perfeita.

Mas, digam-me, o que seria da nossa vã existência sem que as decepções nos ensinassem valiosos segredos sobre a vida? Como poderíamos aprender algo sobre nós mesmos se não fossemos expostos ao erro? A questão é que, se isso fosse realmente possível (apagar algumas lembranças) vocês acham que os resultados seriam positivos? Eu digo que não.

Erramos para aprender e, sem esse aprendizado, viver é em vão. Se cada dia é um dia diferente é porque fazemos dele diferente. Mudamos atitudes, concertamos o que pode ser concertado e assim vamos seguindo. Errando e acertando e querendo fazer tudo dar certo. Se esquecermos das decepções, vamos cometer os mesmo erros de novo. E de novo. E de novo...

Joel, ao decidir se submeter ao mesmo tratamento de Clementine, percebe que não quer esquecê-la. Na luta para preservar as memórias de sua amada, ele procura forças para impedir que o procedimento seja realizado por completo. Eis que a vida, misteriosa como só ela é, resolve ser generosa com o casal e dá uma segunda chance ao relacionamento. Para saber como isso vai acontecer, só assistindo ao filme. Um dos meus preferidos! 

E você, seria feliz no esquecimento?

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Despeço-me

Querido amigo,
Sinto muito por tê-lo feito esperar tantos anos por minha gratidão. Saiba que sua amizade foi o melhor presente que já recebi, e o mais precioso também, visto que lhe custou muito renegar parte de sua vida para viver a minha. Acredite, sei de tudo isso e muito mais. Posso não ter feito-lhe companhia presencial, mas nossas mentes estavam ligadas de uma maneira que não sei explicar. Venho por meio desta relatar-lhe minha grande exaustão com o mundo. Vivo por pura conveniência, porque tenho que viver. Minha colocação irá espantar-lhe, bem sei, pois nunca demonstrei reais vontades de fugir por um desses becos que nos tiram da realidade. No entanto, enquanto esperava uma fagulha de luz qualquer vinda de um lugar qualquer, me vi só no mundo. Vais me dizer que tenho você, é claro, mas não posso pedir-lhe que viva por mim. Minha dor é intensa demais para compartilhá-la com você. Decidi não viver mais. Não vale a pena dar-me a tanto trabalho para nada. Poupar-nos-ei de infortúnios que não tardariam a aparecer. Não diga que sou egoísta por privar-lhe de minha companhia, pelo contrário. Faço isso por nós, para deixar em suas memórias lembranças de momentos felizes. A vida já me castigou demais por pecados que cometi sem saber. Amei demais, eu suponho. Amei a liberdade do meu pensamento, da minha imaginação e dos meus sonhos. Foi aí que tudo começou. Sonhei demais e me afastei da realidade, fui feliz dentro de mim e veja só a desgraça que a vida me empurrou goela abaixo: com ódio, me fez infeliz no plano real, me fez ver que sou de carne e osso. Material. Não posso conviver com isso. Não quero me resumir a tão pouco, quando sei que poderia ser muito mais. Esse futuro do pretérito é o que me incomoda, desperdiçar coisas ao léu por pura ignorância humana. Por que insistimos em renegar os nossos sentimentos? Por que não nos damos ao prazer de apenas sentir? Isso nos faria mais felizes, e é uma solução tão simples! Grito ao mundo um pouco de amor, mas ninguém me acolhe. Ninguém sabe o que é isso. "O amor não está na moda e nem vende", disse-me alguém. Se é para viver assim, prefiro buscar refúgio nos céus que tanto me acolheram em sonhos. Há esperança de vida na morte. É o que acho. É no acredito. Por fim, deixo aqui todo o meu amor para você! Nunca lhe esquecerei e aonde quer que eu esteja rezarei para que a minha desgraça não lhe atinja. Sei que é deveras persistente, diferente de mim, por isso creio que viverás bem neste mundo do cão. Não tenha pena de mim, se faço o que faço é por querer ser minimamente feliz. Fique em Paz, A.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Espero-te

Odeio ter escrúpulos. Odeio ter educação. Odeio agir de certa maneira com as pessoas e esperar que elas ajam da mesma forma comigo. Odeio esperar que as pessoas sejam boas. Odeio ter esperança em pessoas melhores. Odeio esperar. Odeio te esperar, Deus. Odeio me sentir desamparada. Odeio o fato de que a única coisa que eu possa fazer para amenizar o sofrimento é chorar. Odeio pensar que vivo em vão. Odeio pensar que nada mais eu possa fazer a não ser esperar. Odeio esperar, esperar e esperar. E depois esquecer o que tanto espero.