sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Assisto impassível às loucuras humanas em suas mais variadas formas. É um não saber como lidar com o que alguém como eu mas diferente de mim pode fazer. Assusto-me como estou à mercê de tornar-me um monstro se me deixar levar pela malícia das pessoas que vivem ao me redor. Odeio ser exposta dessa maneira às humilhações que a vida me (nos) impõe. Curvar-me facilmente para aquilo que não presta mas que fui ensinada a adorar. Penso na palavra liberdade, mas não sei realmente o que ela significa. Livres são os pássaros que podem voar. Por que quem não pensa é mais feliz? Tentei uma vez não pensar em nada, mas fui infeliz. Tudo incomoda e é passível de questionamento. Ah, como cansa viver! 

*

Não me reconheço. Não sei como fazer o que todos fazem, parece que sai errado, sabe? Torto. Não nasci para ser mas continuo sendo. Algum dia serei? Não quero mais perguntas porque perguntas me deixam nervosa. Passou. Explicar é algo muito difícil, seja lá o que for. Tenho ânsias de vômito, não caibo em mim. Acho que sou eu querendo sair de qualquer maneira e ser. Seja lá o que ser signifique. Eu sei que não estou sendo clara, mas não há maneira fácil de se explicar. Eu só sou dentro de mim. Por favor, me explique como é ser você. Deve ser tão bom! Há sorrisos e cores no seu mundo, faz o meu também ser assim, por favor?! Desculpe, pareço uma criança. Oh, me desculpe mesmo por lhe importunar tanto. Vou tratar de ser feliz.

*

Eu sigo os passos que me levam além, mas não sei onde esse além fica. Ninguém parece notar que o além nunca chega. Canso-me de andar tanto! Para quê? Ah, faço perguntas demais e não respondo nenhuma delas. Ninguém responde. Alguém pode me ajudar? Ó, lá se vai outra pergunta. (Pausa). Feche os meus olhos, eu não quero ver. A realidade me machuca. Ninguém me vê chorando porque eu choro por dentro. Cuida de mim e diz que tudo vai ficar bem, mesmo que não. Palavras confortam e prefiro acreditar na ilusão, só acredito em mentiras. Eu finjo que não vejo a minha cara no espelho, eu finjo que não vejo meu corpo todo manchado. Eu finjo que não sei como eu sou, mas eu sei tudo. Eu sou feia por dentro e por fora. Eu não quero que você me veja porque isso machuca, esse desprezo. Fica aí que eu fico aqui.

Fica aí que eu fico aqui.

Eu sei do mundo mais do que eu queria saber.

"De onde você veio?"

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Nada.

A tristeza vicia mais que qualquer droga. Sai de dentro de nós e se espalha pelos detalhes da nossa vida, tirando a cor das paisagens mais belas e o cheiro dos melhores perfumes. Envolve-nos como um manto protetor e nos sentimos tão confortáveis que não temos forças para retirá-lo. Estagnamos. Permanecemos, então, em um mesmo estado de melancolia que ninguém consegue entender e, por isso, nem ajudar. Como falar sobre algo que nem nós entendemos? Não há o que dizer, não há o que fazer. Continuamos vivendo, rogando a Deus uma resposta imediata, uma cura para todo o sofrimento, uma morte calma. Distanciamos-nos do mundo ao mesmo tempo em que nele moramos. Somos uma parte dele. Morremos por dentro a cada dia, sem perceber. O tempo passa e nada muda. Nada dura.

"O que acontecerá? Tenho medo."

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Desabafo.

Palavra após palavra, me repeles com a tua brusca maneira de condenar-me os atos e impaciente fico por ver-te longe de mim. Bombardeias-me de desconfianças infundadas onde realizo peripécias inimagináveis. Não te cansas de me atormentar e acho que até algum prazer sentes nisso de tanto que o fazes. Por que me irritas? Todas as minhas boas emoções desaparecem e saio por aí sem me preocupar em disfarçar o mal-estar que me causaste. Não consigo pensar com clareza e isso me deixa frustrada porque tenho tantas outras coisas para resolver e acabo não fazendo nada. Sinto pena de mim e outra onde de mal-estar, dessa vez pior, inunda todo o meu ser. Não há nada pior do que sentir pena de si mesma. Cumpro as obrigações diárias como alguém que só tem aquilo para fazer. Não me concentro e acabo por não atribuir importância a nenhuma tarefa específica. Não encontro foco e consequentemente não tenho um rumo a seguir. Penso em falar tudo o que me vem à cabeça e afundar-te na verdade que é a minha vida de merda, mas seria como reduzir toda a complexidade de cada sentimento que já se desvendou dentro de mim a muito pouco. Calo-me em pensamento deixando-te acreditar que tens razão sobre a minha vida e suas insignificâncias. Pergunto-me até quando vou ter que aguentar tuas tagarelices sem sentido e se algum dia entenderás que não sabes nada sobre mim. Ninguém sabe e me pergunto se, algum dia, alguém saberá.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Dia do livro.

O livro é comemorado todos os dias por cada leitor. É uma parte da gente que outra pessoa escreve. É refúgio da realidade. Um esconderijo de todas as coisas ruins que a gente vê por aí, no mundo real. Uma maneira que as pessoas encontraram de ficar sozinhas, mas acompanhadas. Faz a gente ter saudade de um mundo inventado, muitas vezes, mas deveras real em nossos corações. O livro é professor, é amigo. Ensina, aconselha. Faz companhia aonde quer que a gente vá. E o que é mais legal: eles não vão embora! As histórias são eternas desde o momento em que as imaginamos. As pessoas que conhecemos vivem para sempre. O livro é a nossa própria vida contada em capítulos.
O livro sou eu. 

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

"O que virá depois?"

Perguntas-me e eu não sei o que responder porque em minha mente tudo parece fugaz e sem sentido enquanto vivo sem saber porquê, sem saber para onde vou e aonde quero estar. Quero dizer que sim, tenho tudo planejado para o futuro próximo, mas a verdade é que as minhas fantasias desvanecem com uma rapidez imediata e não tenho nem plano a nem plano b, estou à mercê de qualquer coisa que aconteça.

"O que virá depois?"

Perguntas-me e tenho o prazer de falar-te sobre todos os planos feitos e sonhos imaginados, fantasias banais e desejos reais. Tenho esperanças de uma felicidade plena e perpétua com personagens que complementem o meu viver. Em mim existem mais sonhos do que qualquer ser poderia suportar e é deles que me alimento dia e noite, dia após dia. 

"O que virá depois?"

Perguntas-me e sinto o medo do desconhecido chegar. Não existem mais luzes e me guio através do escuro que é a minha mente enquanto piso errante em buracos fundos e flores espinhosas. Não vejo nada além não vejo nada além. Pânico! Uma sensação de que nada jamais vai dar certo e todos os esforços foram inúteis. Viver torna-se tarefa árdua e a felicidade alheia um golpe a mais para o inferno da alma. E assim sou obrigada a viver por ser covarde demais para partir.

"O que virá depois o que virá depois o que virá depois...?"

As palavras saltam de mim nestes momentos de pura reflexão em que consegues invadir minh'alma e extrair o que nem eu mesma pensei que fosse possível, os sentimentos mais secretos e as vontades mais obscuras e então confesso todos os meus pecados e erros passados e julgamentos errados. Sou a ré e a sentença é continuar nessa fragata quase afundada nesse mar de gente louca que insiste em se dizer a melhor das  criaturas.

O que virá depois?

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Prefiro o silêncio dos teus olhos do que o barulho que o mundo faz.

Sinto ali dentro uma espécie de calor que me aquece nesse tempo frio, um consolo amigo em uma noite triste, um refúgio de toda a indiferença que paira nos dias de hoje. Teus olhos são as mãos que me puxam quando estou caída ao chão, e ninguém se importa há quanto tempo estou lá. Eles são o labirinto aonde tanto quis me perder. E me perdi. E me achei. E te encontrei. 

Eu vi o amor, e ele tem a tua forma.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Imagem e Semelhança.

Eu vejo o mundo, eu vejo o caos.
Eu sou o mundo, eu sou o caos.

Eu vi o que eles fizeram.
Eu fiz o que eles fizeram.
Eu sou o que eles fizeram.

Eu sou o que há de pior.

Eles me enganaram.
Eu me enganei.
Eu te enganei.

Eu sou o que ninguém vê,
Eu sou o que todos veem,
Eu sou o mesmo que você.

Eu sou o que há de pior.

Eu quis dizer algo diferente.
Eu quis fazer algo diferente.
Eu quis algo diferente?

Eu sou a fonte inesgotável.
Eu sou a montanha inabalável.
Eu sou o Deus inquestionável.

Eu sou o que há de pior.

Eu me calei.
Eu consenti.
Eu menti.

Para mim, para você, para todos nós.

Eu sou o que há de pior.