segunda-feira, 30 de março de 2015

Ana K.

Se insisto em ver
O que não vejo,
É porque eu sinto.

Quem há de contrariar
O coração ferido
De uma moça
Levada

A acreditar
Na vida
Como ela não é?

O demônio das onze horas
Nunca vai embora, de verdade.

Ele espera calado,
Na estação,
O próximo trem

Que sempre vem.


terça-feira, 18 de novembro de 2014

O fim em cinco atos.

1.

Não consigo mais escrever.
Tudo é ridículo e passível de críticas,
As palavras não me pertencem mais.
Passei muito tempo fechada,
Vítima de uma dessas depressões
Que sempre me dão.
Por falar nisso,
Where is my Xanax?

2.

Não consigo mais ler.
Tudo já foi escrito e cai na mesmice,
Os livros não me alimentam mais.
Passei muito tempo trancada,
Em uma dessas prisões
Que sempre construo.
Por falar nisso,
Where is my Thorazine?

3.

Não consigo mais falar.
Tudo já foi dito e discutido,
Os sons não me pertencem mais.
Passei muito tempo calada,
Em um desses exílios
Que sempre me imponho.
Por falar nisso,
Where is my Diazepam?

4.

Não consigo mais enxergar.
Tudo já foi visto e revisto,
As imagens não me pertencem mais.
Passei muito tempo no escuro,
Em uma desses apagões
Que sempre me acontecem.
Por falar nisso,
Where is my morphine?

5.

Não consigo mais.
Não consigo.
Consigo?
Não.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Loucura.

Sou sã na minha loucura,
Sou refém da minha culpa:
De ser quem eu sou,
De estar onde estou.

Vejo muito mais do que eu deveria ver,
E o que eu devo fazer com tudo isso?
Minha loucura não é um capricho,
É o meu eu,
Estendido.

Mas quem diz que eu não sei
O que falo, o que vejo,
Não é mais louco do que eu?

Eles negam a realidade,
Eu só busco a verdade.


domingo, 14 de abril de 2013

Espera.

Perguntou-me o que eu busco nessa vida.
Ora, o que haveria de ser senão o prazer?
O pecado cometido, uns pequenos delitos,
Conquistar um coração, morrer de paixão...
Morrer e, mesmo assim, continuar vivendo!

E o que faço eu neste pequeno cômodo?
Espero a vida chegar, a correnteza levar
Tudo o que me prende a esse mar de gente
Medíocres, canalhas, que me cortam as asas
Prisioneiros da própria mente, eles mentem!

Eu sei o que é melhor pra mim:
A salvação está no coração.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

It's christmas.

It's christmas,
And what have you done?
The year passed away,
But you're still the same.

It's christmas,
And where have you been?
There's a whole world outside,
But you're still right here.

It's christmas,
And have you loved someone?
Your heart keeps beating,
But you're on your own.

It's christmas,
And what are you celebrating?
You're young and free,
But you're looking for something to believe.

It's christmas,
And have you said thank you to someone?
And have you prayed for someone?
And have you cryed for someone?

It's christmas,
But it's monday too.
Do you believe that your dreams
Can come true?

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Assisto impassível às loucuras humanas em suas mais variadas formas. É um não saber como lidar com o que alguém como eu mas diferente de mim pode fazer. Assusto-me como estou à mercê de tornar-me um monstro se me deixar levar pela malícia das pessoas que vivem ao me redor. Odeio ser exposta dessa maneira às humilhações que a vida me (nos) impõe. Curvar-me facilmente para aquilo que não presta mas que fui ensinada a adorar. Penso na palavra liberdade, mas não sei realmente o que ela significa. Livres são os pássaros que podem voar. Por que quem não pensa é mais feliz? Tentei uma vez não pensar em nada, mas fui infeliz. Tudo incomoda e é passível de questionamento. Ah, como cansa viver! 

*

Não me reconheço. Não sei como fazer o que todos fazem, parece que sai errado, sabe? Torto. Não nasci para ser mas continuo sendo. Algum dia serei? Não quero mais perguntas porque perguntas me deixam nervosa. Passou. Explicar é algo muito difícil, seja lá o que for. Tenho ânsias de vômito, não caibo em mim. Acho que sou eu querendo sair de qualquer maneira e ser. Seja lá o que ser signifique. Eu sei que não estou sendo clara, mas não há maneira fácil de se explicar. Eu só sou dentro de mim. Por favor, me explique como é ser você. Deve ser tão bom! Há sorrisos e cores no seu mundo, faz o meu também ser assim, por favor?! Desculpe, pareço uma criança. Oh, me desculpe mesmo por lhe importunar tanto. Vou tratar de ser feliz.

*

Eu sigo os passos que me levam além, mas não sei onde esse além fica. Ninguém parece notar que o além nunca chega. Canso-me de andar tanto! Para quê? Ah, faço perguntas demais e não respondo nenhuma delas. Ninguém responde. Alguém pode me ajudar? Ó, lá se vai outra pergunta. (Pausa). Feche os meus olhos, eu não quero ver. A realidade me machuca. Ninguém me vê chorando porque eu choro por dentro. Cuida de mim e diz que tudo vai ficar bem, mesmo que não. Palavras confortam e prefiro acreditar na ilusão, só acredito em mentiras. Eu finjo que não vejo a minha cara no espelho, eu finjo que não vejo meu corpo todo manchado. Eu finjo que não sei como eu sou, mas eu sei tudo. Eu sou feia por dentro e por fora. Eu não quero que você me veja porque isso machuca, esse desprezo. Fica aí que eu fico aqui.

Fica aí que eu fico aqui.

Eu sei do mundo mais do que eu queria saber.

"De onde você veio?"

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Nada.

A tristeza vicia mais que qualquer droga. Sai de dentro de nós e se espalha pelos detalhes da nossa vida, tirando a cor das paisagens mais belas e o cheiro dos melhores perfumes. Envolve-nos como um manto protetor e nos sentimos tão confortáveis que não temos forças para retirá-lo. Estagnamos. Permanecemos, então, em um mesmo estado de melancolia que ninguém consegue entender e, por isso, nem ajudar. Como falar sobre algo que nem nós entendemos? Não há o que dizer, não há o que fazer. Continuamos vivendo, rogando a Deus uma resposta imediata, uma cura para todo o sofrimento, uma morte calma. Distanciamos-nos do mundo ao mesmo tempo em que nele moramos. Somos uma parte dele. Morremos por dentro a cada dia, sem perceber. O tempo passa e nada muda. Nada dura.

"O que acontecerá? Tenho medo."